"Somos familia"




MalvaGomes 


Vocês já observaram como muitos de nós somos escravos dessas duas palavra: "Somos familia".?
Pois é  este o relato que recebi de uma leitora, que pediu a não divulgação de seus dados por motivo óbvio e passo aqui na integra

Dona Malva, eu e algumas amigas estamos sem saber se somos pessoas muito mesquinhas ou se as duas palavras "somos familia" ditas por filhos e agregados teem que ser levadas em conta. No meu caso e no de algumas, eles as  esfregam em nossa cara quando não queremos (e não podemos) dispensar mais ajuda financeira a eles, dilapidando ainda mais nossa minguada aposentadoria.  Do alto da arrogância nos olham como se fôssemos insetos. Crescem diante de nós com exigências descabidas em prol "da família". 
Que raio de família é  essa cujo caminho nunca é de mão dupla? Sempre tem que sair de nós para eles sem retorno financeiro algum?
Muitas vezes moram em nossa casa com a  desculpa de cuidar de nós. É  certo que se adoecermos nos levam ao médico do postinho de saúde e se encarregam de ir lá uma vez por mês para aviar a receita. Ou nos acompanham durante o tempo de internação por sermos idosas, mas temos que arcar com o pagamento de cuidadoras para uma parte do dia
Se ficarmos fragilizadas em determinado tempo, podem nos ajudar no banho e nos trazer o prato feito. Reconheço que isso acontece. Já aconteceu comigo e sou muito grata por toda a ajuda prestada por meu filho. Mas foi uma vez em meus muitos anos de vida em que sempre me bastei a mim mesma e ajudei a cada um em todo o tempo que vinham a mim pedindo dinheiro. Fui e continuo sendo sucursal de caixa eletrônico.
Hoje estou me recuperando enquanto minhas finanças vão se minguando.
Vivo basicamente de mingau de leite  feito com composições encontradas no mercado, que não vão ao fogo.
E assim começa a minha alimentação diaria comprada com parte do meu beneficio. Não faz parte das compras da casa, bem como os remédios que teem que ser comprados na farmácia. 
Lá, bem perto das 11 horas chega um café com pão e ovo, as vezes só o pão na chapa.  O almoço só Deus sabe a que horas chegará. Muitas vezes a comida está intragável ou demora tanto que substituo por mais um mingau.
E o jantar? Não tenho jantar, como um pão com manteiga e um café, se fizeram ou um solúvel com leite e encerro o dia lá pelas 18 horas. Se comer mais tarde vou ficar de namoro com a comida no estômago me impedindo de dormir.
Muitas vezes fico me perguntando quanto é  que vale o que eu como durante o mês? A casa é  direito meu, o aluguel de uma lojinha que eu tinha vai para pagamento de dívidas feitas por meu filho. Passou a ser minha responsabilidade pagar a energia elétrica, que no mês passado ficou em quase 700 reais. E ainda passei 300 reais para meu filho. Será que eu consumo 1000 reais em alimentação e água e a Internet? Acho que não, não tenho TV e não assisto nem mesmo uma vez por mês a que fica na sala.
Tenho um ventilador e uma lâmpada que ligo entre 18 e 20 horas. Não tenho chuveiro elétrico.
Será que estou sendo mesquinha? Será que estou errada em querer que meu beneficio dê para eu comprar um chinelo melhor e coisas que eu preciso? 
Será que tenho que pensar na família mais do que em mim?
Tudo isso está me afligindo e estressando. Já perdi minha alegria e não tenho mais vontade de conversar.
As vezes penso que talvez fosse melhor ir para um asilo, mas acredito que meu beneficio não dá para me internar.
Acho que minha situação não tem jeito, pelo menos por enquanto tenho que ir aguentando. Vou procurar ouvir sem reclamar, afinal será para o bem estar, pois "somos familia".


Se possivel ajude a divulgar


MalvaGomes

Livros editados:
1 - Vamos pro mundo
2 - Eu, o magistrado!

malvagomes1@gmail.com 
https://malvagomes.blogspot.com

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