Mãe
Fui agraciada com mãe, mãe forte, lutadora, trabalhadora que me ensinou que viver é caro, complicado e difícil. Mas ao mesmo tempo possível se tivermos cuidado, amor, proteção e uma boa chinela à mão.
Nunca apanhei imerecidamente. Perdidas foram as chinelada que não acertaram, talvez se as recebesse eu me tornasse uma pessoa melhor.
Minha mãe tinha regras rígidas dizia que lugar de criança era em casa. Mas em dias de chuva deixava a gente brincar na rua, andar na enxurrada, e o máximo que acontecia era pegar um raro resfriado.
Éramos fortes e sadios, a comida era de verdade, não essa porcaria cheia de agrotóxicos que nos custam os olhos da cara.
Se mentíssemos ela esfregava nossa boca com sabonete. Era melhor apanhar. Mas ela dizia que boca suja não pode pedir socorro a Deus, então limpava e de quebra perfumava... Triste o gosto do Gessy Lever da época, não deve ter melhorado nada se é que ainda existe.
Mas brava mesmo eu vi minha mãe quando foi pagar a mensalidade do curso de piano e foi informada que eu não compareci nem uma vez naquele mês... foi coisa viu. Apanhei tanto que me serviu de lição, nunca se deve aproveitar mal o dinheiro suado. Ela fez o certo. Eu era terrível.
Mas tinha muitos momentos bons, ela nos mandava ir deitar na cama dela nos dias frios de São Paulo e ficava conversando, contando da família lá na Bahia, ou histórias da Bíblia. Nos incentivava a ler, pensar e a orar. E nós, amontoados sobre a cama, aqueciamos o corpo, a mente e o coração. Graças a Deus por minha mãe.
Livros editados:
1 - Vamos pro mundo
2 - Eu, o magistrado!
MalvaGomes
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